[originalmente postado em geeknerdnanico.net]  

Um dos últimos quadrinhos que comprei foi o Bob & Harvey que se trata de uma coletânea de histórias escritas por Harvey Pekar e desenhadas pelo Rober Crumb. Perfeito! O livro tem prefácio, Larte comentando sobre o Harvey Pekar e tudo o que tem direito – no bom sentido, sem ironias. Nos comentários do Larte fica claro que surgiram muitos imitadores de Pekar após o trabalho dele. Não sei dizer se isso é verdade ou exagero, mas é algo constante n-artistas imitarem um ‘novo expoente’ de sua área quando a obra deste está em destaque.
Acontece que é muito comum hoje falar sem rodeios que ‘tal artista imita não sei quem’, ‘isso aí é plagio de fulano’ e por aí vai. Mas será mesmo?

Como exemplo vou pegar eu mesmo: já faz um tempo estive pensando em começar a escrever quadrinhos. Não sabia qual gênero seguir, pensava em histórias de horror, mistério, policiais, draminhas jovens, mas sem me entuziasmar muito com nenhum desses gêneros, ou pelo menos sem conseguir produzir muito a respeito desses gêneros. Daí que conheci a obra de Crumb nos idos de 2003 e já comecei a ter idéias de fazer algo no estilo, só que não conseguiria fazer nada muito diferente do que o Crumb já fez. Aí que me veio a idéia de escrever histórias em quadrinhos como crônicas, sobre coisas que aconteciam comigo, porém, com nomes e lugares trocados – e alguma dramaticidade aumentada. Por todavia, não cheguei a escrever nada do tipo na época nem depois. Era só uma idéia que acabou se perdendo (ou melhor, adormecendo) com o tempo.

Não me lembro em que ano assisti ao Anti-Herói Americano, mas foi lá que soube melhor sobre esse tal Harvey Pekar. O filme é uma ‘cine-biografia’ da vida dele e mostra como surgiu a revista American Splendor. E Pekar escreve quadrinhos justamente sobre isso: cotidiano banal e chato da vida dele. Sem super-heróis, sem licões de vida, sem dramas românticos. Obviamente, aquela minha idéia de um tempo atrás ressurgiu. Mas novamente não a coloquei em prática.

Ontem, lendo ao livro citado no primeiro parágrafo decidi por isso em prática! E tudo bem que eu já tinha outros projetos em pseudo-andamento com dois colegas, mas infelizmente a idéia deles não é mais o que eu quero escrever – lógico que continuarei ajudando o projeto da forma que for possível, mas não vou criar nada -, e por isso me veio a cabeça: seria eu um imitador de Pekar? A minha resposta? Não. ‘Mas como não, seu cara de pau!’. Simples: eu não sou contemporâneo de Pekar, logo, não estaria aproveitando o sucesso de um escritor que inovou os quadrinhos para poder me dar bem. Sem contar que nem nascido eu era quando ele começou a publicar seus trabalhos. Haveria influência dele no meu? Óbvio! Afinal, foi a obra dele que me deu o impulso final para poder criar quadrinhos. Mas acho que não seria uma imitação… imitações não são genuínas. Seguir um gênero ou um estilo não é imitar. Vale lembrar que estou me referindo a obras criadas 15, 20 anos depois da ‘original’. Obras criadas por artistas que eram meros bebês quando estes que viriam a ser tornar seus ídolos estavam no auge ou chegando a este. Por tanto, seria correto julgar esses artitas de meros imitadores e plagiadores?

Abraços!

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