Paga-Pau de gringo?

De tempos em tempos surgem “fenômenos” musicais fabricados, pré fabricado, ou genuinamente talentosos. Nos tempos da internet esses “fenômenos” são cada vez mais efêmeros, localizados ou não, e constantemente mencionados em vários veículos de comunicação. Alguns são realmente talentosos e por ventura acabam criando algo de valor, que não soe como as outras tantas bandas de internet da atualidade. E claro que aqui no Brasil surgiram fenômenos como esses (preciso mencionar quais os principais?) . Porém, entre os mais recentes surgiu uma garota de apenas 15 anos, tocando algo parecido com um folk.

Não estou aqui para fazer uma análise musical da menina, não mesmo. Pelo contrário, nunca escutei sua música e apenas ouvir falar dela quando li cartas em resposta a uma matéria do caderno Folha Teen da Folha de S. Paulo de algumas semanas atrás. Fora o jornal, agora tenho a visto com certa frequência nos intervalos da MTV (por favor MTV! Pare com a lavagem cerebral, vai!) . Contudo, vê-la com essa freqüência na TV me fez lembrar das cartas indignadas dos leitores da Folha, colocando em cheque o talento da menina, dizendo que ela e outros jovens compositores deviam focar-se na cultura brasileira e deixarem de ser tão americanizados. Teve também algum comentário do glorioso Álvaro Pereira Junior, mas como não dou importância pra o que ele diz, nem me lembro de seu comentário.

Lembrar disso me fez refletir sobre algo: muitas vezes quem já passou da casa dos 20 e até mesmo algumas pessoas entre 0s 18 e 20 anos comenta que a molecada na faixa dos 15 anos é vazia, sem referência cultural, improdutiva, inerte. E de certa forma as pessoas tem razão. Vejo praticamente uma nulidade em termos produtivos das pessoas dessa faixa etária. Acontece que para toda regra existem exceções e aí que entra a menina citada lá em cima e as pessoas que a execram. Não entendo o porque dessa atitude. As pessoas deviam estar contentes que essa menina e outras pessoas de sua idade estejam produzindo algo cultural, compondo, escrevendo, usando o cérebro.

Pode ser que o ponto de crítica contra Mallu e companhia seja no fator tipo de música, ou na natural imaturidade de uma pessoa de 15 anos que se mete (no bom sentido) a compor. Talvez esses adolescentes não tenham a maturidade ideal para compreenderem melodias mais complexas e soturnas, ou escreverem algo de certa relevância. Porém, acredito que se continuarem a produzir vão amadurecer rapidamente e se tornarão bons músicos. Mas voltando ao fator tipo de música, essa é outra coisa que me intriga.

Quando vemos um músico estrangeiro com melodias que nos lembram a bossa nova, o samba de raiz, o choro e outras sonoridades brasileiras, eles são considerados músicos mais cultos. Chegam até a ganhar uma aura de descolados, visionários, músicos que se diferenciam do resto por seu amplo e excelente conhecimento musical. Não importa se é um músico antigo ou um músico novato – ele não é queimado. Agora, quando vemos um músico nacional, principalmente um iniciante, com uma sonoridade tipicamente estrangeira já vem logo alguém para apontar dedo e acusar o músico de traidor que renega a pátria e paga-pau de gringo.

Inexperientes, imaturos e sem profundidade, com erros de inglês e português, com melodias simples e óbvias, fazendo músicas chatas , toda essa “pirralhada” tem meu apoio e meu cumprimento, pois, gostaria que houvessem muito mais adolescentes como estes – diferente da maioria que a grande preocupação é saber quem tá fuçando no orkut dela.

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12 comments so far

  1. Gisele on

    Eu gostei do seu blog, vou assinar o RSS, portanto, atualize-o de vez em quando!

  2. yO on

    Cara, essa mina tem esse lance, lembra a regina spector (que não tem porra nenhuma a ver com folk/blues), boa d+… espero que as gravadoras e a mtv, os críticos zé ruelas que escrevem nas principais mídas do país (tipo o alvaro jr r i andre forrastieri, alguém lembra na época da blitz das merdas por linha que ele conseguia escrever?) e o público imbecil brasileiro do gugu e do faustão não corropam nem fodam alguém com um potencial tão grande.

  3. geeknerdnanico on

    Obrigado pelos comentários!

    Gisele:
    tá difícil conseguir tempo e alguma coisa legal pra escrever. minha próxima atualização fará jus ao nome do blog, mas preciso de um tempinho… ante-projeto, provas, trabalhos, freelas… e parece que foi semana passada essa atualização. cheguei a cogitar escrever sobre Interpol e o show deles. talvez escrava tudo junto. E acho que você é a primeira pessoa a assinar meu rss!
    <3’sss

    yO:
    poxa, vou escutar com atenção. não sou mega fan de regina spektor não, mas acho bom o trabalho dela.

    abraços aos dois!
    :]

  4. Guilherme Sassaki on

    Olha, eu ouvi essa Mallú Magalhães, simples e puramente. Deixando de lado ideologias e conceitos morais nacionalistas (sem querer exagerar), eu gostei. Pronto. Para música é isso que basta, agradar ou não, e acho também que não devemos inibir uma garota com tanto potêncial quanto ela só por ter uma influência americana clara.
    Tudo bem que é importante orgulharmos do que é nosso, seja em arte, esporte, ou seja lá o que for. Mas a música é um caminho livre. Não importa onde nasça, uma flor será sempre bela.

  5. alininhalp on

    a malu manda super bem…

    e seu blog é mtu bom.. parabéns

  6. Larie on

    vo totalmente assinar seu feed tbm 😀

    (segunda uhuul!)

  7. geeknerdnanico on

    obrigado Larie! Isso que me incentiva a continuar a postar com mais regularidade (se o trabalho e faculdade deixarem. 😦 )

  8. Ana on

    Concordo com seu ponto de vista. Acho que é realmente muito simples “fazer” algo que chame a ateção por ser um tanto diferente. “Compor” uma música não é algo que requer muito estudo, nem aomenos conhecimento. É simples : Péga-se três ou quetro acordes e faz-se uma letra legal. Pronto.
    Porém o que me chamou a atenção e me fez concordar com sua opinião, foi a ideia de que por mais imaturas e sem relevância que sejam as músicas, esses jovens “músicos” estão se preocupando em fazer algo de útil, além de checarem seus orkut’s.
    Eu realmente creio que existam “talentos” jovens, acho que a música pode fluir independente da idade mental. Músicas serão sempre músicas. Eu, como musicista, creio que qualquer forma de música ou de cultura é bem vinda. Seja boa ou ruim, seja vazia ou real, músicas são feitas para serem ouvidas e transmitirem sentimentos, e sempre, é claro, alguem ás ouvirá.

  9. Leandro on

    Porque insistem ateh hj a dizer PAGA PAU DE GRINGO
    qual eh um som de qualidade?
    e outra por ser em ingles.
    hj em dia diz q o ingles eh a lingua global.
    enfim ta meio q assim, pois o mundo inteiro pode se apoiar no ingles pra manter uma comunicacao padrao.
    seja na italia, japao.
    enfim
    por que nao cantar em ingles? se o mundo inteiro pode entender…

    enfim vcs estao me entendendo??

    e ainda existe o termo PAGA PAU DE GRINGO.
    isso pra mim eh comunicacao! nao eh pagar pau!

    essa menina eh super estilosa! e o som .. super clean e de bom senso!

    eh isso aih!
    PAZ!

  10. timmy on

    Leandro, isso foi basicamente o que eu disse aqui. Que deviam pensar melhor antes de usarem um termo antiquado como esse. Acho muito legal e bom ouvir excelentes bandas brasileiras cantando em português brasileiro, tais como Ecos Falsos, Móveis Coloniais de Acajú, Autoramas, Canastra. Contudo, não tenho porque desprezar artistas brasileiros que cantam em inglês.

    Até mais!

  11. Waltrudes de Moraes Filho on

    Essa menina é demais.Música é isso.Ou se gosta ou não se gosta.Ela é diferente.Vai fzer sucesso.
    Waltrudes.

  12. Heartagram on

    Ah… sem palavra Mallu é super^^
    em tempos de “dança do quadrado,creu” e outros, que tem bem mais idade e mentalidade e fazem esses lixos escrotos!!
    Abraços…


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